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Integridade como indutora da boa gestão e governança corporativa

30.11.2023
Autor: Colab
governo
“A questão da integridade ficará cada vez mais fina, mais delicada e mais bonita” [Richard Fuller].  

Nos últimos anos vivemos uma profunda crise ética e civilizacional, agravada ainda mais pelo desenvolvimento tecnológico, informático e comunicacional. Essa crise se manifesta em todas as esferas da sociedade. Logo, não é exagero afirmar que as utopias do progresso e do conhecimento continuam patinando sobre possibilidades que ainda não se concretizaram. 

Apesar de estarmos vivendo na Era da informação e do conhecimento, os resultados ainda não são os melhores, pois, ‘excesso de informação’ não gera ‘excesso de pessoas bem informadas’. Esta Era com alto potencial transformador, paradoxalmente, produziu graves prisões, entre elas: ansiedade (um dos males do século, segundo o psiquiatra Augusto Cury), depressão, medo, intolerância, ódio e dependência. 

A grande quantidade de informações disponíveis dificulta a filtragem e a separação entre a ‘boa’ e a ‘má’ informação. Desta forma, muitas pessoas serão em poucos anos uma espécie de androides programados para obedecer e agir de acordo com comandos sociais externos que pouco honrarão a arte de pensar criticamente. Essa situação, segundo o psicólogo Gustave Le Bon, leva a uma espécie de esfacelamento das vontades individuais, e, consequentemente, a regressão aos instintos mais primitivos.

Mas, a crise que vivemos pode significar o surgimento de novas oportunidades de crescimento e amadurecimento. Por isso, não podemos fechar os olhos diante das evidências que apontam para algumas conquistas, em vários setores da sociedade (individual/corporativa), embora não estejamos ainda na velocidade ideal, pois, romper paradigmas leva seu tempo. 

Ao deslocarmos nosso foco para questões ligadas à integridade, ousamos afirmar que já existe consenso que ela é o norte pela qual os cidadãos e as instituições públicas e privadas devem guiar suas ações em prol do bem comum, pois caminhamos lentamente para a ‘Era da Integridade’. Este é o título do livro de Luiz Fernando Lucas, publicado em 2020, que versa exatamente sobre essa nova Era em que precisamos resgatar os valores universais que dão sustentação às relações pautadas na honestidade, respeito, retidão, imparcialidade […]. Naturalmente, todos os valores, apontados por Lucas, envolvem confiança, e sem isso, as relações humanas e corporativas estão condenadas ao fracasso.  

No entanto, é preciso assinalar que, integridade não é um conceito ‘novo’. Ela faz parte da tradição filosófica, e sempre foi discutida e problematizada. Mas, nos últimos anos, a expressão ganhou vida e tem sido amplamente estudada e utilizada em diversos contextos. Devido a essa amplitude, ela não dispõe objetivamente de uma única definição, pois, é complexa e polissêmica. Mas, isso não deve ser interpretado como sintoma de indefinibilidade, aliás, é antes, a marca de hiperdefinibilidade tal abundância de definições, pois, o campo epistemológico pelo qual o conceito navega é vasto e amplo. 

Os filósofos antigos a definem de diversas formas, uma vez que, seu significado depende do contexto e da finalidade em que é aplicada. Mas, independentemente do seu uso no plano macro ou micro, as diferenças são pouco significativas. Atualmente, esse conceito é muito explorado em situações que envolvem relações de poder, seja na política, nos negócios, na administração pública e privada, mas, sobretudo, nas relações interpessoais.    

Ao visitarmos sua origem etimológica, não restam dúvidas que, integridade vem do latim integer ou integritate. No primeiro caso, significa um número inteiro, completo, ou seja, o todo, enquanto que no segundo, significa plenitude, perfeição, solidez, ou ainda, totalidade. Nos dois casos, integridade retrata valores consistentes e reportam a princípios que podem ser verificados ou mensurados quanti e qualitativamente.

No Dicionário de Língua Portuguesa (Academia Brasileira de Letras), integridade é definida como característica do que está em perfeitas condições (aspecto físico), ou qualidade de quem é correto, probo (aspecto moral). Já no Houaiss, integridade é caraterística daquilo que está inteiro, que não sofreu qualquer diminuição, plenitude, inteireza, ou seja, estado daquilo que se apresenta ileso, intacto, que não foi atingido ou agredido. 

Tratando-se da conduta humana, integridade representa a qualidade de uma pessoa íntegra, incorruptível e ético cujos pensamentos, atitudes e atos se ancoram na honestidade, retidão, pureza, ou seja, em valores, cujo exercício confere exemplaridade e perfeição a alguém, cuja conduta é irrepreensível, inatacável, imparcial, justo e equitativo. 

Portanto, existe certo consenso que, qualquer definição, atribuída a esse conceito, por mais simples ou complexa que seja, designa plenitude, inteireza, totalidade, justeza, perfeição, solidez, eticidade, sendo estas, características (físicas ou intelectuais) comuns às pessoas retas, honestas e incorruptíveis. Por isso, o comportamento ético de cada cidadão, está no cerne da integridade. Logo, não existem pessoas mais ou menos íntegras, pois, integridade não admite incompletude, nem pode ser reduzida à soma de qualidades separáveis, pois, ela vale por si só.    

Autor: Colab

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